quarta-feira, 16 de maio de 2007

novelas de café

Mas será que a estupidez humana não tem limite? Será que andamos tão possuídos com a nossa angustiante vidinha mundana que até já nem temos tempo parar prestar atenção aos pormenores?

Ontem ao fim da tarde, acabando de sair do trabalho, numa tarde igual a tantas outras, dirigi-me a um café situado no centro da cidade do Funchal, onde acabei por me encontrar com o meu tio, e depois de algum compasso de espera para ser atendido por um empregado de mesa, ridiculamente eficiente e também estupidamente eficaz, lá acabamos por efectuar o nosso pedido, ao qual passo a citar: um café cheio, um garoto descafeinado e uma torrada, à qual o meu tio fez questão de pedir varias vezes para não à aparar, usando estas palavras “a torrada não é aparada”, e “não quero a torrada aparada”. O empregado apontou apressadamente o pedido e ainda mais apressadamente voltou as costas a mesa em direcção ao balcão.

Depois de fumar um cigarro e de meter dois dedos de conversa acerca das trivialidades do dia de trabalho, lá voltou o empregado a mesa com os cafés, um café (bica) e um garoto descafeinado, e é aqui que começa a loucura, o empregado estava a pôr os cafés na mesa e o meu tio pergunta, e passo a citar: “olhe, mas afinal qual é o descafeinado?” ao qual responde prontamente o empregado “olhe, sinceramente, não sei qual, foi a minha colega que tirou e não me disse qual era…” e eu ao ver isto tive aquela sensação de quem esta a sofrer um acidente de automóvel em câmara lenta, bem, é que não só a pergunta do meu tio fora um tanto ou quanto ridículo, como ainda mais parva foi a resposta do funcionário do café, é que das duas uma, ou ninguém tomou atenção ao pedido, (um café e um garoto descafeinado), e vou passar a especificar os principais ingredientes de cada um destes produtos, o café como o próprio nome indica contém única e exclusivamente café, enquanto que o garoto descafeinado, contém café com uma baixa percentagem de cafeína e leite, e após o esmiuçamento dos ingredientes, passo a formular a minha tese, bem, distinguir um café de um descafeinado não é fácil, apesar de um ter uma coloração mais clara que o outro, continua a não ser uma tarefa acessível a todos, o paladar de ambos também difere, mas antes de provar seria um tanto difícil de apurar qual era qual, pronto deste caso realmente é difícil distinguir o café do descafeinado, mas havia num deles qualquer coisa que o diferenciava do outro, algo que o tornava diferente, e agora o que seria? Seria o açúcar? Não, Seria a chávena? Também não, então o quê que seria, epá não me diga que era… não pode ser, seria mesmo que era o leite??? E mais não digo porque mais óbvio que isto é impossível, no entanto houve duas pessoas que apresentavam ter duvidas de algo tão cristalino.

Mas a história ainda não acabaria ali, depois de todo este dilema, o empregado lá voltou a mesa trazendo a torrada (a qual relembro que o meu tio fez questão de frisar varias vezes que não a queria aparada) e num gesto quase que automatizado atira-a para cima da mesa, e roboticamente prover aquela velha frase feita que deve ser parte da praxe nos serviços de restauração, que é o “bom apetite”.

Ao olharmos para a torrada contactamos que esta afinal, tinha os cantos aparados, contrariando o pedido varias vezes expressado pelo meu tio, então e como qualquer pessoa normal, chamamos o empregado para lhe dizer que não fora aquilo que nos pedimos, o empregado ao se ver confrontado com a nossa atitude pega no prato que tinha a torrada, olhou para a torrada, e pergunta, “então quê que a torrada tem de mal?”, e o meu tio prontamente lhe responde, “eu tinha pedido a torrada não aparada” ao qual o empregado responde “tinha pedido não aparada, mas não é assim que nos fazemos as torradas aqui…, mas se quiser faço-lhe outra” e com um ar muito ofendido, nem deixou-nos dizer mais nada, volta-nos as costas e dirige-se ao balcão.

Agora pergunto, qual era a dificuldade deste funcionário em nos satisfazer o pedido de uma forma eficaz da primeira vez? Porquê que ele não tomou atenção ao que nos pedimos? Se o tivesse feito não teria de levar a torrada para trás e ter que fazer outra. Porque que este simplesmente não assumiu o erro de não ter interpretado bem o nosso pedido, em vez de se por com uma atitude agressiva/estúpida para connosco?

Escusado será dizer que não ficamos a espera da segunda torrada.

Ps.: minha gente, não custa nada perder um pouco mais de tempo a ouvir o que nos pedem, por vezes esse tempo que se perde inicialmente acaba por ser uma mais valia e evita mesmo alguns dissabores.

1 comentário:

Anónimo disse...

meu grande amigo, adorei este post,deixa-me lembrar que todas as vezes q decidia-mos ir tomar qqcoisa aki em portalegre era do piorio, as vezes so me apeticia bater nos empregados que mais pareciam caracóis ceguetas, masi perdidos que uma puta no deserto, mas como o nosso tempo de "passear nas aulas" era tanto tanto que nem cabia no papel do multibanco dos gastos feitos para passar o tempo.... tempo perdido na papelaria, no almoco, a pedir alguma coisa pa beber, pa nos sentarmos, para ver tv, para tomar duche, bem ...juntanddo isto tudo acho que em 24h tinha 30mn sem ser em estar a espera.... e as vezes perdiam.se em tentar-me deixar dormir com a gazeta a bombar ca em baixo, lolol, abraço