quinta-feira, 17 de maio de 2007

novelas de café(zinho)

“ É um garotinho clarinho e um copinho com água.” Foi esta a condessinha que ouvi ontem ao balcão de um modesto cafezinho, situado numa esquininha da cidadezinha do Funchal.

Eu a principio até fiquei um tanto ou quanto estupefacto com este pedido, como é que é possível que em apenas nove palavras a senhora tinha conseguido utilizar três diminutivos, mas depois pensei… olha que querido, que simpático, que amoroso este pedido, dito assim de uma forma tão infantil, tão agradável, tão …, é que isto dito assim realmente quebra o gelo em qualquer situação, faz com que o dia se torne mais claro, mais vivo, mais quente, até os passarinhos cantam mais alegremente, as pessoazinhas ficam mais radiantes e encadeantes, é o que se chama transformar a noite em dia.

Não é por nada que os adultos só utilizam este tipo de linguagem com os bebés o que faz com que os pirralhos ainda no berço comecem logo a sorrir com a nossa capacidade para a tontice. Por vezes ao ver este comportamento, tento me pôr na pele do puto, e tentar imaginar o quê que ele deve pensar ao ver estas tristes figuras, o puto só deve pensar que mal é que fez para merecer este tipo de pensamento, ou então, deve pensar na sorte que tem por ter uns país/familiares/etc., que ainda são mais “crianças “ que ele próprio.

Minha gentinha a língua portuguesa deve ser a língua mais rica gramaticalmente que existe a face da terra, são inúmeros os escritores, poetas que pegaram em toda essa riqueza e fizeram autenticas obras de arte/literatura, e o problema deve ser exactamente esse, talvez por a língua ser tão rica, faz com que algumas pessoas ainda à tentem enriquecer mais, só que por vezes a emenda sai pior que o soneto, e o resultado é o que se vê, ou seja disparate após disparate.

Eu com isto tudo não estou a dizer que é para deixar-mos de utilizar os diminutivos, não, não é essa a minha intenção, os diminutivos existem e devem ser utilizados, mas utilizados com alguma lógica, e não sempre que vos apetece.

E depois ainda há outra, uma nossa moda, um novo tique com ares de jet set, é que já não se contentam só com a utilização dos sufixos “inho” e “inha”, agora apareceu um upgrade para estes, que é o “ito” e o “ita”, e já se vê certas e determinadas pessoas a dizer “é um cafezito e um copito de água”, meu deus, mas quê que é isto, será que já não há limite para a loucura e para o devaneio???

Pois já não basta a utilização massiva do lixo que nos chegam de além fronteiras, como também ainda nos pomos para aqui a assassinar a nossa própria língua, meus caros, quer queiramos, quer gostemos, quer não a nossa língua é um legado de varias gerações, é algo que faz parte da nossa identidade enquanto portugueses, é algo tão ou mais importante que o nosso hino ou até mesmo a nossa bandeira, por isso deve ser preservado, mas sobretudo respeitado.

Ps.: respeitem a nossa identidade, respeitem a nossa língua, ou então sempre que vós apetecer dar um pontapé na gramática, mastiguem uma malagueta, pode ser que ajude a combater essa recente diarreia verbal.

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